ELE: Quando te osculo sinto que não há confissão que me absolva...
ELA: Que os anjos nos perdoem, se no meu beijo há pecado, mas antes arder no Inferno ... do que nunca o ter beijado...
ELE: Quando te osculo sinto que não há confissão que me absolva...
ELA: Que os anjos nos perdoem, se no meu beijo há pecado, mas antes arder no Inferno ... do que nunca o ter beijado...
Sem asas feridas … mas sim fortalecidas!
(para a fábrica de histórias)
Por vezes dou por mim a encontrar-te exactamente onde me perdi ...
As histórias são assim, escritas em momentos que a vida nos desperta para abraçar o Mundo que até então desconheciamos. A meio da sombra e da luz desfolhamos as páginas da nossa monótona existência, de vez em quando somos surpreendidos, vidas e histórias cruzam-se, a magia revela-se e as páginas corroídas pelo tempo ganham sentido.
Somos novamente crianças, crentes, destemidas e felizes. O medo não nos detêm porque existimos para além dele, o futuro é eterno, o amanhã é longinquo e os arranhões nos joelhos irão sarar.
Compreendi desde sempre porque me dizias que não podemos gostar muito, que as saudades devem ser poucas e porque é que o sol nem sempre brilha, compreendi a soma dos anos, das desilusões, das perdas, dos dias cinzentos, compreendi a tentativa de fugir da dor e que cair a meio do nada é preferível a cair no abismo desconhecido.
Compreendi, mas recuso-me a aceitar, porque para isso teria de crescer, de deixar de acreditar em anjos, de dançar sob as estrelas, de correr à beira-mar e de fazer castelos na areia.
Dane-se as vezes que caí, os arranhões nos joelhos e os castelos desfeitos pelas ondas. Por breves momentos, senti em ti a criança que teimas em esconder, nos teus olhos não havia medo, no teu sorriso brilhava a alegria da descoberta. Demos as mãos, partilhámos doces, vimos o mar, soltamos gargalhadas com os disparates que dizes e trocamos ideias sobre os disparates que escrevo.
( Da caixa dos brinquedos para a Fábrica de Histórias)